Pequenos fragmentos de um mar sem fim

Nome: Thaís Campos
Local: Terra da Garoa, Brazil

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Silêncio.

Composição de minha amiga poeta que me surpreende a cada escrito.


Vivo no silêencio.

De pausas em pausas, entre quartifusas e breves canções.
Nos arpegiattos da sinfonia mais prestíssima!
Nos ralentandos, em doce e suave canção.
~.~
Cante ó minh'alma em escalas cromáticas!
Silencie, ó minh'alma nos acordes do baixolão
Descance, ó minh'alma nos intervalos da harpa
Se apaixone, ó minh'alma, com o piano a una corda
~.~
Que as cordas toquem, que os tímpanos ressoem!
Os pratos estremeçam, as flautas soem
O violino, stacatto, naturale
~.~
Da capo e da capo!E vem o recital,..
Colla parte, colla voce
Silence,...é a voz do coração.

Roberta Gasques.

sábado, 5 de julho de 2008

Amor comum a todos


Interessante esse meu estado.

Um dos melhores momentos de minha vida e faltam-me palavras para descreve-lo, todos os dias lembro-me desse meu espaço para elucubrações, começo escrever algo, e logo desisto, permanecem todos os rascunhos, até descobrir o que se trata: minha inspiração é limitada.

Não! Inspiração não me falta, no entanto, neste momento estou estupefata de amor, e não haveria nada além de amor para escrever e o modo como todas minhas expressões de vida tomaram outra forma por meio dele. Incapaz de descrevê-lo como gostaria, não ousarei tentar, se não explicar minha ausência, minha inausente ausência.

Há o todo em meu ser, acordo todas as manhãs e sinto um renovo, a vida, o curso é outro, e estou certa que jamais conseguirei externá-lo com palavras como desejo, nem para meu amor, nem aqui, nem para a mais confidente amiga, digo isto pois já tentei, já o fiz, mas o receptor não alcança com a grandeza do que vivo, é como se fosse mais uma história de amor, e não direi que não é.

O melhor, é provável que seja esquecer esta idéia, eu sei, mas preciso fazê-lo. Para meu amado, dizer que o amo se tornou insuficiente, para as pessoas, dizer que é possível não basta, dizer que este amor intenso, delicadamente forte, que na imperfeição, alterações de estado da alma, espirituais, tantas vezes quase inerte, despreparado, ou seja lá qual for a condição humana, existe aquele momento em que tudo harmoniza-se e vamos ao seu encontro.

Amor real, de programas marcados, cinema, diálogos, passeio de mãos dadas, sorrisos, inseguranças, barzinho, estação de trem, telefonemas, mensagens virtuais, mudanças de temperamento, abraços infinitos, palavras soltas inebriadas de emoções lacrimejantes, concessões, que vê as faltas e permanece desejoso, que se despede com saudade, que considera o mais trivial encontro sublime, que inspira, que fala por meio do silêncio, que chateia-se e basta um abraço, a voz, aquelas palavras perfeitas, tiradas de não sei onde para levar consigo todo amuamento, o amor que cria expectativas, faz planos, sabe que vai envelhecer, sonha.

Quanta redundância meu Deus! Para dizer que este amor existe, para mim e quem quer que deseje ou tenha desejado, possivelmente como eu, construído minimamente, só para torna-lo praticamente inatingível, entretanto, um dia ele esta ao seu lado, se torna seu amigo, sua paixão, um dia o ideal se torna tangível, e você chega a pensar que por ser bom demais para ser verdade você não merece, ou cogita a possibilidade de não viver pois teme que o encanto se vá, porque aprendeu nos livros que certas coisas não são para ser vividas ou mencionadas, mas ao se permitir viver, o encanto é maior mesmo com os desencantos e suas certezas, com as miudezas do cotidiano e as nuances da realidade.
Esse amor real, que não é para os poucos privilegiados, que
te faz rever seus conceitos em relação a si próprio, o mundo, te faz compreender mais a respeito do amor divino, o próprio divino, este amor que acrescenta vida a sua vida, este amor...

Por toda a vida que existe sou grata!

Mesmo não sabendo descrevê-lo, de toda maneira, deixo registrado este novo e deslumbrante sentimento expresso em meu rompante, que não busca compreensão...

Tudo que este coração ansiava, era expressar-se.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ainda não morreu ( Márcio Uno)


Será que é a pós-modernidade, a globalização
Ou a era “high tech”?

Talvez seja a “sociedade líquida” de Bauman
Ou a tendência de isolar a humanidade com o que é “human”

Valores modificados, abandonados ao tempo
Se há, qual o valor dos valores?
Um alto preço, árduo, tiram-se as máscaras
Onde estão os atores?

Felizes, se entregam em matrimônios
Tomados por impulsos, coisas de momento
“Chronos” vos devoram, acabam com vidas
E trajetórias, com as únicas histórias
Traidores, adúlteros dos sentimentos

A peça já começou, sou platéia por favor
Esqueceram do Diretor (que se dane),
I don´t know too, melhor é a performance:
“And the Oscar goes to…”

Tornei-me um descrente, não
Não me venha com a religião,
Muito menos com a razão
Elas não sabem o que proclamo,
Desconhecem quais são as trilhas do coração

No meio do paradoxo sou tomado por esperança
Aquela, que é a última que morre. Morre?
Deixo sepultado a nostalgia, a magia divina
E tudo o que não é insólito, não me amole

Espere, respondo o questionamento
Se é só ilusão? Ainda creio que
Melhor é frustar-se por tentar
Do que nunca ter tentado
Sim, quero tentar e ser tentado

Consciente sou Marisa Monte
Realmente “Não é fácil”, I know,
Embora enfeitiçado com Renato Russo
Indagando explicações para quem o inventou

Lanço-me nos rios violentos,
Molho cabelos e tornozelos
Ainda nado com bóias, tímido eu
Pouco a pouco mergulho nas correntezas do amor
Aquele que ainda não morreu, Nasceu?




quinta-feira, 15 de maio de 2008

Deslumbre

A sutileza nos gestos despretensiosos me comove.
Amigos que surpreendentemente mudam o caminho para te buscar, simplesmente para você não voltar sozinha para casa tarde da noite.
A tia coruja que prepara dois almoços no domingo, um só com as coisas que você come, outro, com o mesmo primor, para toda a família.
A pessoa querida que te responde uma mensagem as duas da manhã dizendo que estava linda e há brilho em seu olhar.
A professora iluminada e sagaz que ensina com alegria e humildade.
O patrão benévolo.
A colega de trabalho que te encoraja.
A amiga que não partilha de sua filosofia, entretanto, lhe ouve atenciosamente.
O renomado teólogo que vai a conferência como quem vai ao mercado e apresenta-lhe um novo universo, com profunda intelectualidade, sobretudo, com amor.
Amor, amor, amor...
Estou cercada de amor.
Sinto-me assim pois não aspiro encontrar o amor nos gestos exagerados, por tantas vezes, estes podem apenas ser a ostentação do amor, não amor em si.
Descobrir o amor todos os dias de diversas maneiras como na gentileza, na paciência, na espontaneidade, emergindo de diferentes naturezas, é saber-se privilegiado.
Por todo esse deslumbramento retribuir amor com amor, se torna uma expressão natural.
Sem obrigatoriedade.
Sem pretensões.
Amar por amar!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Primeira Crônica




Minha professora do curso de português nos incumbiu a tarefa de compor uma crônica. Tarefa aparentemente simples para alguém que se mete a escrever de quando em quando. Mesmo iludida com esta idéia, me ocorreu pegar um de meus textos prontos, dar uma enxugada e apresentar como crônica. Afinal, a tanto o que fazer, pouparia tempo, e quem sabe me renderia algo.
Entretanto, minha consciência não permitiu que eu o fizesse, sendo assim, parti em busca de um motivo, um acontecimento cotidiano trivial que me garantisse um escrito, obviamente, notar pequenas coisas com olhos de ver seria fundamental para isso. Minha busca começa.
O primeiro corriqueiro que me chama atenção foi o modo como um jovem se aproxima de uma moça dentro do ônibus: algo comum, mas inusitado. Julguei que daria uma crônica: uma linda moça atravessa a catraca, não há lugares disponíveis, estou sentada atrás do sujeito em questão, que ao ver a moça parada em pé ao seu lado, não disfarça seu deslumbramento, e como um bom cavalheiro, levanta-se e insiste para ela sentar-se. A jovem senta-se, algumas paradas depois, o senhor que esta ao seu lado desce, cedendo o lugar ao gentleman, este, não perde a oportunidade de engatar um assunto, receptiva, ela corresponde, e eu, vou todo o caminho de casa ouvindo aquela conversa bonitinha.
Além de minha primeira impressão que foi a de que para um idoso conseguir um lugar já é um grande sacrifício em um ônibus lotado, aquele jovem ou era uma relíquia ou realmente estava interessado, e isso me faz pensar que os romances e as tragédias podem começar assim. Depois concluí que não seria bom o bastante e minha busca prosseguiu.
Outra coisa que me chamou atenção foi o vendedor de cocadas da porta da faculdade, incrível, ele é tão rígido, não interage com as pessoas, apenas grita olhando para o nada, "olha a cocada, cocada caseira..." Esta sempre muito bem arrumado, e odeia aquilo. Mil pensamentos, embora não faça bem o que faz, o pobre homem é obstinado, vende cocada como se advogasse. Nunca me interessei por suas cocadas.
Mas isto é assunto que um cronista obviamente desenvolveria com maestria, pobre de mim, tentar desenvolver minha primeira crônica e possivelmente única inspirada em um péssimo vendedor de cocadas.

Já o vendedor de sanduíches naturais, este daria o que escrever, sua alegria é contagiante, arma a barraca na entrada principal, usa aquela toquinha branca e jaleco como se fosse um cozinheiro,
me faz crer que ele mesmo prepara os sanduíches, se fosse, não me importaria, "olha o sanduíche natural, al, al, al, por apenas um real, al, al, al". Confesso que nunca comprei um sanduiche daquele homem, mas ainda vou comprar, toda manhã nos cumprimenta e diz: " olha não vai se arrepender depois hem!" Eu sempre me arrependo! Mas estou sempre atrasada, e sem coragem para perguntar se entre aqueles sanduíches tão bonitos e bem embalados tem algum sem os famosos patês de frango ou presunto.
Por fim, observei muitas coisas no meu intuito de criar minha crônica, mas nada me valeu.
Restou-me a alegria do exercício em si. Na tentativa de enxergar o cotidiano com um olhar para a palavra, descobri mil crônicas diárias, e sem conseguir discorrer sobre uma, decidi que o processo revelador e maravilhoso desta busca tornariam-se minha crônica. Espero que a Professora Teresa aceite!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Amor, teorias e desabafo


Tenho pensado muito no amor nos últimos tempos. Não no altruísta, fraternal ou Divino.
Tenho pensado no amor que motiva um casal a prometer viver juntos todos os dias de suas vidas. Não conheço esse amor. E escrever sobre ele é complicado.
É que tenho pensado tanto, e meu pensar vem de meu sentir, e de uns tempos para cá tenho sentido tudo com mais intensidade...

Desconheço este tipo de amor e me sinto decepcionada com ele.

Quando duas pessoas vivem praticamente um quarto de século juntos e decidem desistir, não há como não decepcionar-se.
Me pergunto: me pareceu que o pior já passou ou foi impressão?
Claro que o pior já passou.
Será que recomeçar tudo com outras pessoas ou sozinho é mais simples do que transformar o que está errado?
O que eu sei sobre isso?
Só um monte de teorias que criei, com base em mil histórias que deram errado, algumas que deram certo e a instrução adquirida através da palavra da vida que acabo por descobrir não é infálivel.
Uma das poucas certezas que tenho na vida é que desistir é muito mais facíl que lutar.
Digo isso por que todas as vezes que desisti de algo, nem sempre foi por que não quis, mas por que aquilo daria um grande trabalho, exigiria um grande esforço para obter êxito, tiraria-me da zona de conforto levando-me a zona de conflito, e o efeito disso é mudar, crescer, ceder, adaptar- se, e tudo isso é muito mais penoso que desistir.

Desistir é simples por que basta não acreditar, e não acreditar hoje é natural, temos tudo para não sentir esperança, temos o que chamamos de a realidade: "o amor acaba", "há um momento em que lutar não mais adianta", "tudo indica que não mais dará certo", "foi feito todo o possível", "vai ser melhor para todos".
Todo esse ridículo, mentira e covardia é chamado de realidade.
Romantica e idealista prefiro acreditar que o amor tudo sofre, crê, espera, suporta, e jamais acaba.
Isso me diz que não há nada de errado com o amor, o problema são as pessoas. Por que amar também é árduo.
Por que amor não é apenas a sensação que nos leva prometer o para sempre, é o que nos induz manter um compromisso.

Mais uma vez, o que eu sei sobre isso?
São apenas teorizações.
Sinto muito medo!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Amazônia para sempre


CARTA ABERTA DE ARTISTAS BRASILEIROS SOBRE A DEVASTAÇÃO DA AMAZÔNIA

Acabamos de comemorar o menor desmatamento da Floresta Amazônica dos últimos três anos: 17 mil quilômetros quadrados. É quase a metade da Holanda. Da área total já desmatamos 16%, o equivalente a duas vezes a Alemanha e três Estados de São Paulo. Não há motivo para comemorações. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta.

Depois de tombada na sua pujança, estuprada por madeireiros sem escrúpulos, ateiam fogo às suas vestes de esmeralda abrindo passagem aos forasteiros que a humilham ao semear capim e soja nas cinzas de castanheiras centenárias. Apesar do extraordinário esforço de implantarmos unidades de conservação como alternativas de desenvolvimento sustentável, a devastação continua. Mesmo depois do sangue de Chico Mendes ter selado o pacto de harmonia homem/natureza, entre seringueiros e indígenas, mesmo depois da aliança dos povos da floresta “pelo direito de manter nossas florestas em pé, porque delas dependemos para viver”, mesmo depois de inúmeras sagas cheias de heroísmo, morte e paixão pela Amazônia, a devastação continua.

Como no passado, enxergamos a Floresta como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são o símbolo da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo.

Um país que tem 165.000 km2 de área desflorestada, abandonada ou semi-abandonada, pode dobrar a sua produção de grãos sem a necessidade de derrubar uma única árvore. É urgente que nos tornemos responsáveis pelo gerenciamento do que resta dos nossos valiosos recursos naturais.

Portanto, a nosso ver, como único procedimento cabível para desacelerar os efeitos quase irreversíveis da devastação, segundo o que determina o § 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, onde se lê:

"A Floresta Amazônica é patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais"

Assim, deve-se implementar em níveis Federal, Estadual e Municipal A INTERRUPÇÃO IMEDIATA DO DESMATAMENTO DA FLORESTA AMAZÔNICA. JÁ!

É hora de enxergarmos nossas árvores como monumentos de nossa cultura e história.

SOMOS UM POVO DA FLORESTA!

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SE ENCONTRAR O SITE CONGESTIONADO, POR FAVOR NÃO DESISTA E TENTE MAIS TARDE.
Se preferir, envie um e-mail com seus dados (Nome, título de eleitor e/ou CPF e/ou RG, atividade, cidade, estado e comentários) para assine@amazoniaparasempre.com.br. Por favor não envie anexos.
MUITO OBRIGADO POR SUA COMPREENSÃO!

O Movimento Amazônia Para Sempre não autoriza ninguém a comercializar nenhum tipo de material promocional em nome do Manifesto ou coletar qualquer tipo de doação. Somos um Movimento cívico, sem fins lucrativos e sem associações politico-partidárias.

Se você também deseja uma 'Amazônia para Sempre', subscreva nosso manifesto. Ao obter o número de assinaturas necessário, ele será encaminhado ao Presidente da República para que sejam tomadas as providências necessárias para resolver este que é um sério problema brasileiro e mundial: A devastação da Amazônia. Sua participação é muito importante!

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