
Interessante esse meu estado.
Um dos melhores momentos de minha vida e faltam-me palavras para descreve-lo, todos os dias lembro-me desse meu espaço para elucubrações, começo escrever algo, e logo desisto, permanecem todos os rascunhos, até descobrir o que se trata: minha inspiração é limitada.
Não! Inspiração não me falta, no entanto, neste momento estou estupefata de amor, e não haveria nada além de amor para escrever e o modo como todas minhas expressões de vida tomaram outra forma por meio dele. Incapaz de descrevê-lo como gostaria, não ousarei tentar, se não explicar minha ausência, minha inausente ausência.
Há o todo em meu ser, acordo todas as manhãs e sinto um renovo, a vida, o curso é outro, e estou certa que jamais conseguirei externá-lo com palavras como desejo, nem para meu amor, nem aqui, nem para a mais confidente amiga, digo isto pois já tentei, já o fiz, mas o receptor não alcança com a grandeza do que vivo, é como se fosse mais uma história de amor, e não direi que não é.
O melhor, é provável que seja esquecer esta idéia, eu sei, mas preciso fazê-lo. Para meu amado, dizer que o amo se tornou insuficiente, para as pessoas, dizer que é possível não basta, dizer que este amor intenso, delicadamente forte, que na imperfeição, alterações de estado da alma, espirituais, tantas vezes quase inerte, despreparado, ou seja lá qual for a condição humana, existe aquele momento em que tudo harmoniza-se e vamos ao seu encontro.
Amor real, de programas marcados, cinema, diálogos, passeio de mãos dadas, sorrisos, inseguranças, barzinho, estação de trem, telefonemas, mensagens virtuais, mudanças de temperamento, abraços infinitos, palavras soltas inebriadas de emoções lacrimejantes, concessões, que vê as faltas e permanece desejoso, que se despede com saudade, que considera o mais trivial encontro sublime, que inspira, que fala por meio do silêncio, que chateia-se e basta um abraço, a voz, aquelas palavras perfeitas, tiradas de não sei onde para levar consigo todo amuamento, o amor que cria expectativas, faz planos, sabe que vai envelhecer, sonha.
Quanta redundância meu Deus! Para dizer que este amor existe, para mim e quem quer que deseje ou tenha desejado, possivelmente como eu, construído minimamente, só para torna-lo praticamente inatingível, entretanto, um dia ele esta ao seu lado, se torna seu amigo, sua paixão, um dia o ideal se torna tangível, e você chega a pensar que por ser bom demais para ser verdade você não merece, ou cogita a possibilidade de não viver pois teme que o encanto se vá, porque aprendeu nos livros que certas coisas não são para ser vividas ou mencionadas, mas ao se permitir viver, o encanto é maior mesmo com os desencantos e suas certezas, com as miudezas do cotidiano e as nuances da realidade.
Esse amor real, que não é para os poucos privilegiados, que te faz rever seus conceitos em relação a si próprio, o mundo, te faz compreender mais a respeito do amor divino, o próprio divino, este amor que acrescenta vida a sua vida, este amor...
Por toda a vida que existe sou grata!
Mesmo não sabendo descrevê-lo, de toda maneira, deixo registrado este novo e deslumbrante sentimento expresso em meu rompante, que não busca compreensão...
Tudo que este coração ansiava, era expressar-se.